Wednesday, 7 January 2026

10 Factos Surpreendentes Sobre o Aquecimento Global


 

Introdução

O aquecimento global é o aquecimento de longo prazo do sistema climático terrestre provocado pelas actividades humanas que continua a ser uma das questões mais determinantes do século XXI. Embora o aumento das temperaturas e o degelo das calotes polares dominem o debate público, a realidade climática é muito mais complexa, abrangendo fenómenos menos conhecidos, contra intuitivos e, por vezes, surpreendentes.

Com as temperaturas globais a ultrapassarem 1,4°C acima dos níveis pré-industriais pelo terceiro ano consecutivo, torna-se essencial compreender estas dinâmicas profundas para orientar respostas eficazes. Este texto apresenta dez factos surpreendentes que revelam a complexidade e a urgência do aquecimento global, integrando também a experiência da União Europeia, de Portugal e da Região Administrativa Especial de Macau.

Realidades Surpreendentes de um Mundo em Aquecimento

1. Aquecimento Desigual: Amplificação Árctica

O Árctico está a aquecer entre duas a três vezes mais depressa do que a média global. Este fenómeno acelera a perda de gelo marinho e altera padrões atmosféricos, incluindo o comportamento da corrente de jato. A Europa tem sentido estes efeitos através de ondas de calor mais intensas e tempestades mais erráticas.

2. Os Oceanos Como Reservatórios de Calor

Mais de 90% do excesso de calor retido pelos gases com efeito de estufa é absorvido pelos oceanos. Isto atenua temporariamente o aquecimento à superfície, mas provoca expansão térmica, subida do nível do mar e perda de oxigénio. Portugal, com uma das maiores zonas económicas exclusivas da UE, e Macau, localizado numa região costeira vulnerável, enfrentam riscos acrescidos de erosão, tempestades e impactos na pesca.

3. Chuvas Extremas, Não Apenas Secas

O ar mais quente retém mais humidade, intensificando episódios de precipitação extrema. A Europa registou inundações devastadoras nos últimos anos, e Portugal tem alternado entre secas severas e episódios de chuva torrencial. Na Ásia, fenómenos semelhantes têm afectado o Delta do Rio das Pérolas, incluindo Macau.

4. Inércia Climática Garante Décadas de Aquecimento Futuro

Mesmo que as emissões cessassem hoje, o aquecimento continuaria durante décadas devido à lenta libertação de calor acumulado nos oceanos. Esta inércia climática significa que as decisões políticas actuais determinam o clima das próximas gerações que é uma realidade reconhecida tanto pela UE como pelos planos climáticos de Portugal.

5. Declínio Nutricional das Culturas Alimentares

O aumento do CO₂ reduz a qualidade nutricional de culturas essenciais como o arroz e o trigo, diminuindo níveis de ferro e zinco. Isto tem implicações directas para países dependentes destas culturas incluindo regiões asiáticas próximas de Macau e pressiona sistemas alimentares globais.

6. A Crosta Terrestre Está a Elevar-se

O degelo das grandes massas de gelo reduz a pressão sobre a crosta terrestre, provocando a sua elevação gradual que é um processo conhecido como ajustamento isostático glacial. Embora mais evidente no hemisfério norte, este fenómeno afecta projecções globais de nível do mar, relevantes para zonas costeiras portuguesas e para Macau.

7. Expansão de Doenças Transmitidas por Vectores

O aquecimento global está a expandir a área geográfica de mosquitos que transmitem doenças como dengue e malária. A Europa já registou casos autóctones de dengue, e Macau com clima subtropical enfrenta riscos acrescidos devido à maior sobrevivência e reprodução destes vectores.

8. Recuo Global das Geleiras

As geleiras estão a desaparecer não só nos pólos, mas também em cadeias montanhosas como os Himalaias, os Andes e os Alpes. Estas geleiras funcionam como “torres de água” que abastecem milhares de milhões de pessoas. A UE acompanha de perto este fenómeno devido ao impacto nos Alpes e no abastecimento hídrico europeu.

9. Pontos de Ruptura: Risco de Colapso da AMOC

A Circulação Meridional do Atlântico (AMOC), que inclui a Corrente do Golfo, mostra sinais de enfraquecimento. Um colapso parcial poderia provocar arrefecimento regional na Europa Ocidental, alterar monções e desencadear mudanças irreversíveis. Portugal, situado na fachada atlântica, seria directamente afectado.

10. O Aquecimento Global Agrava a Desigualdade Económica

Os impactos climáticos recaem de forma desproporcional sobre regiões costeiras e economias dependentes da agricultura. Países em desenvolvimento enfrentam perdas económicas crescentes, ampliando desigualdades globais. A UE tem reforçado mecanismos de solidariedade climática, enquanto Portugal e Macau enfrentam desafios específicos relacionados com eventos extremos, subida do nível do mar e vulnerabilidade socioeconómica.

Conclusão

O aquecimento global não é apenas um aumento uniforme da temperatura, mas uma perturbação sistémica que afecta ecossistemas, saúde, agricultura, economia e estabilidade geopolítica. À entrada de 2026, com o aquecimento global a manter-se acima de 1,4°C, estes dez factos surpreendentes reforçam a necessidade de estratégias urgentes, adaptativas e coordenadas a nível global. Compreender a natureza multifacetada das alterações climáticas é o primeiro passo para uma acção eficaz nesta década decisiva tanto para a União Europeia como para Portugal e Macau.

Bibliografia

  • Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC). Relatórios de Avaliação sobre Alterações Climáticas.
  • Organização Meteorológica Mundial (OMM). Actualizações Climáticas Anuais e Decadais.
  • Programa das Nações Unidas para o Ambiente (UNEP). Relatórios sobre o Fosso das Emissões.
  • Agência Europeia do Ambiente (EEA). Indicadores de Alterações Climáticas na Europa.
  • NASA. Global Climate Change: Vital Signs of the Planet.
  • NOAA. State of the Climate Reports.
  • International Energy Agency (IEA). Global Energy and Climate Outlook.
  • Lancet Countdown. Relatórios sobre Alterações Climáticas e Saúde Humana.
  • Global Glacier Monitoring Service (WGMS). Dados de Balanço de Massa das Geleiras.
  • Comissão Europeia. Relatórios sobre Adaptação e Mitigação Climática na União Europeia.
  • Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA). Relatórios Climáticos Anuais de Portugal.
  • Direcção dos Serviços Meteorológicos e Geofísicos de Macau (SMG). Tendências Climáticas Regionais.

References:

Neelam Thapa Magar & Binay Jung Thapa & Yanan Li (2024). Climate Change Misinformation in the United States: An Actor–Network Analysis | MDPI. www.mdpi.com. Retrieved from https://www.mdpi.com/2673-5172/5/2/40

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Unknown Author (2025). Strategies for sustainable behavior and emission reduction through individual carbon footprint analysis. www.gjesm.net. Retrieved from https://www.gjesm.net/article_714870.html

Cristina Catita & Carolina Rocha & Carlos Antunes (2020). Coastal Vulnerability Assessment Due to Sea Level Rise: The Case Study of the Atlantic Coast of Mainland Portugal. www.mdpi.com. Retrieved from https://www.mdpi.com/2073-4441/12/2/360

W Zwiers & S Anslow & P Gillett & C KirchmeierYoung & J Cannon (2019). Attribution of the Influence of Human‐Induced Climate Change on an Extreme Fire Season - PMC. pmc.ncbi.nlm.nih.gov. Retrieved from https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC9285568/

Jan C. Semenza & David J. Sailor & Daniel J. Wilson & David E. Hall & Linda A. George & Brian D. Bontempo (2008). Public Perception of Climate Change - American Journal of Preventive Medicine. www.ajpmonline.org. Retrieved from https://www.ajpmonline.org/article/S0749-3797(08)00683-1/fulltext

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Haider Mahmood & Muntasir Murshed & Kashif Abbass & Muhammad Zeeshan Qasim & Ijaz Younis & Huaming Song (2022). A review of the global climate change impacts, adaptation, and sustainable mitigation measures - PMC. pmc.ncbi.nlm.nih.gov. Retrieved from https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC8978769/

Tuesday, 6 January 2026

10 Factos Essenciais Sobre a União Europeia Que Deve Conhecer


 

Introdução

A União Europeia (UE) é uma experiência singular de governação supranacional, nascida do desejo de garantir paz e prosperidade na Europa do pós‑guerra. Ao longo das décadas, transformou‑se num poderoso bloco de 27 Estados‑Membros, unidos por valores comuns, mercados integrados e uma complexa arquitetura institucional. Compreender a UE é fundamental para entender as dinâmicas políticas, económicas e jurídicas da Europa contemporânea. Este texto apresenta dez factos essenciais que iluminam a estrutura, o funcionamento e o papel em evolução da UE nos assuntos globais.

A Estrutura Central e a Composição da União

1. Aderência e Evolução

Em 2026, a UE é composta por 27 Estados‑Membros. A saída do Reino Unido em 2020 marcou um ponto de viragem, mas o bloco continua a aprofundar a integração entre os países restantes. A recente adopção do euro pela Bulgária reforça esta tendência.

2. Arquitectura Institucional

O poder legislativo da UE distribui‑se por três instituições principais:

·         O Parlamento Europeu, eleito directamente pelos cidadãos,

·         O Conselho da União Europeia, que representa os governos nacionais,

·         A Comissão Europeia, responsável por propor legislação e executar políticas. Este modelo procura equilibrar a soberania nacional com a tomada de decisão colectiva.

3. Integração do Mercado Único

O Mercado Único da UE garante a livre circulação de bens, serviços, capitais e pessoas. Este quadro elimina barreiras internas, permitindo que empresas e cidadãos operem além‑fronteiras com reduzida fricção administrativa.

4. A Zona Euro

Vinte e um países da UE partilham agora o euro como moeda comum. Esta união monetária facilita o comércio e a estabilidade de preços, embora exija coordenação fiscal rigorosa para gerir choques económicos e pressões inflacionistas.

Autoridade Jurídica e Direitos dos Cidadãos

5. Primado do Direito da UE

Nas áreas em que os Estados‑Membros delegaram competências, o direito da UE prevalece sobre o direito nacional. Este princípio assegura uniformidade jurídica e é aplicado pelo Tribunal de Justiça da União Europeia.

6. Cidadania Europeia e Mobilidade

Qualquer cidadão de um Estado‑Membro é automaticamente cidadão da UE, beneficiando do direito de viver, trabalhar e estudar em qualquer país da União. Esta mobilidade é um dos pilares da identidade europeia.

7. Valores Democráticos e Critérios de Adesão

A UE assenta nos princípios da democracia, do Estado de direito e dos direitos humanos. Países que pretendem aderir devem cumprir critérios rigorosos, incluindo instituições estáveis e respeito pelas minorias.

8. Negociação Comercial Unificada

A UE negoceia acordos comerciais como um único bloco, o que lhe confere grande influência global. Esta abordagem colectiva permite alcançar condições mais vantajosas do que as que seriam possíveis individualmente.

Financiamento e Trajectória Futura

9. Orçamento Estratégico

O orçamento da UE privilegia a coesão, a agricultura, a inovação e a acção externa. Os fundos destinam‑se a reduzir desigualdades regionais, apoiar as transições verde e digital e responder a desafios globais.

10. Transformação Contínua

A UE não é uma instituição estática. Evolui através de tratados, reformas políticas e respostas a crises. Desenvolvimentos recentes incluem maior cooperação em defesa, energia e infra-estruturas digitais, reflectindo a capacidade de adaptação do bloco num mundo em mudança.

Conclusão

Estes dez factos oferecem uma visão clara da complexidade e relevância da União Europeia. Da sua estrutura legislativa e moeda comum ao compromisso com direitos fundamentais e planeamento estratégico, a UE representa um modelo único de governação colectiva. À medida que enfrenta pressões internas e externas, continua a ser uma força vital na definição do futuro da Europa e do seu papel no cenário internacional.

Bibliografia

·         União Europeia - Tratado da União Europeia (versão consolidada)

·         Comissão Europeia - Estrutura e funcionamento das instituições da UE

·         Parlamento Europeu - O processo legislativo europeu

·         Banco Central Europeu - O euro: história, governação e política monetária

·         Tribunal de Justiça da União Europeia - Jurisprudência sobre o primado do direito da UE

·         Comissão Europeia - Mercado Único e as Quatro Liberdades

·         Comissão Europeia - Cidadania da UE e direitos de mobilidade

·         Comissão Europeia - Orçamento da UE e Quadro Financeiro Plurianual

·         Serviço Europeu para a Acção Externa - Política comercial da UE

·         Conselho Europeu - Política de alargamento e critérios de Copenhaga

References:

Amanda M. Alves & Timothy Yu-Cheong Yeung & Eric Brousseau (2021). The dynamics of institution building: State aids, the European commission, and the court of justice of the European Union - ScienceDirect. www.sciencedirect.com. Retrieved from https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S014759672100007X

 Unknown Author (2025). Frontiers | Influence of lobbying in EU policy process phases. www.frontiersin.org. Retrieved from https://www.frontiersin.org/journals/political-science/articles/10.3389/fpos.2025.1511918/full

Sunday, 4 January 2026

Dez Tipos de Regulação Económica: Uma Análise Estratégica de Política



Introdução

A regulação económica continua a ser um dos instrumentos centrais através dos quais os governos moldam o comportamento dos mercados, corrigem falhas e prosseguem objectivos sociais mais amplos. Embora persistam debates ideológicos sobre a extensão adequada da intervenção estatal, a prática regulatória contemporânea assenta num conjunto diversificado e cada vez mais sofisticado de instrumentos. Compreender estes instrumentos é essencial para analisar como os governos transformam metas políticas em normas executórias e como estas influenciam os resultados de mercado.

Este texto examina dez grandes tipos de regulação económica, organizados de forma a evidenciar os seus diferentes impactos na eficiência, concorrência e bem‑estar dos consumidores. A análise incorpora desenvolvimentos e tendências políticas até 1 de Janeiro de 2026, incluindo mudanças na governação ambiental, nos mercados digitais e na supervisão financeira, com referências específicas à União Europeia, Portugal e Macau.

Categorias de Instrumentos Regulatórios

As regulações económicas podem ser agrupadas segundo a sua finalidade principal. As primeiras cinco categorias incidem sobre o controlo directo da estrutura de mercado, dos preços ou da participação económica; as últimas cinco abordam externalidades, assimetrias de informação e estabilidade sistémica.

Regulações de Controlo Directo do Mercado

1. Controlo de Preços

Os preços mínimos e máximos como o salário mínimo, tectos de renda ou tarifas reguladas de serviços públicos alteram directamente os custos de transacção. Entre 2024 e 2025, debates sobre a acessibilidade da habitação e a volatilidade dos preços da energia reacenderam o interesse em intervenções de preços mais direccionadas.

  • União Europeia: vários Estados‑Membros adoptaram limites temporários aos preços da energia após a crise energética de 2022-2024.
  • Portugal: reforço dos mecanismos de renda condicionada e programas de apoio ao arrendamento acessível.
  • Macau: manutenção de tarifas reguladas em sectores essenciais, como electricidade e transportes públicos.

Persistem, contudo, preocupações sobre escassez, redução do investimento e distorções de longo prazo.

2. Quotas de Produção

Os governos podem restringir volumes de produção para estabilizar mercados ou gerir recursos escassos.

Exemplos contemporâneos incluem:

  • Quotas agrícolas na UE (como no sector do açúcar ou do leite, historicamente);
  • Sistemas de gestão de pescas com limites de captura;
  • Regimes de licenças ambientais para actividades extractivas.

Em Macau, embora a economia seja dominada pelos serviços, existem quotas e limites administrativos relevantes, por exemplo, no sector dos táxis ou no licenciamento de jogo.

3. Licenciamento e Barreiras à Entrada

As restrições à entrada desde certificações profissionais até à atribuição de espectro radioeléctrico moldam a estrutura de mercado ao determinar quem pode operar legalmente.

Na década de 2020, a regulação das plataformas digitais expandiu esta categoria:

  • UE: o Digital Services Act (DSA) e o Digital Markets Act (DMA) introduziram obrigações específicas para plataformas de grande dimensão.
  • Portugal: reforço das regras de certificação profissional e regulação de plataformas de transporte.
  • Macau: regimes de licenciamento rigorosos em sectores estratégicos como jogo, telecomunicações e media digitais.

4. Subsídios e Impostos

Os instrumentos fiscais continuam entre as ferramentas regulatórias mais flexíveis.

  • Subsídios promovem actividades socialmente desejáveis (energias renováveis, indústria de semicondutores, inovação tecnológica).
  • Impostos desencorajam comportamentos prejudiciais (carbono, tabaco, bebidas açucaradas).

Até 2026:

  • UE: implementação do Fit for 55, expansão do mercado de carbono (ETS) e criação do Mecanismo de Ajustamento Carbónico Fronteiriço (CBAM).
  • Portugal: incentivos fiscais à transição energética e à eficiência hídrica.
  • Macau: políticas fiscais selectivas, sobretudo no apoio a PME e diversificação económica.

5. Propriedade Pública

Os governos podem operar directamente serviços essenciais quando a provisão privada é insuficiente.

  • Portugal: forte presença pública em sectores como água, transportes urbanos e parte do sistema energético.
  • UE: tendência para reavaliação da propriedade pública em infra-estruturas críticas após choques geopolíticos.
  • Macau: modelo híbrido, com concessões privadas supervisionadas por forte regulação estatal (jogo, transportes, habitação pública).

Regulações Comportamentais e Estruturais

6. Direito da Concorrência e Antitrust

A política de concorrência visa prevenir práticas monopolistas e preservar a dinâmica dos mercados.

Entre 2020 e 2025:

  • UE: aplicação reforçada das regras de concorrência a gigantes tecnológicos, com investigações sobre abuso de posição dominante e controlo de concentrações.
  • Portugal: a Autoridade da Concorrência intensificou acções em sectores como energia, distribuição alimentar e plataformas digitais.
  • Macau: embora o mercado seja pequeno, a Lei da Concorrência de 2012 tem sido aplicada sobretudo a práticas de cartelização e abuso de posição dominante.

7. Regulação da Protecção do Consumidor

Estas regras abordam assimetrias de informação e garantem segurança de produtos, publicidade justa e conduta empresarial responsável.

Tendências recentes incluem:

  • Normas mais rigorosas para marketplaces online;
  • Requisitos de transparência algorítmica;
  • Combate a práticas digitais enganosas (dark patterns).

A UE tem sido pioneira com o Consumer Rights Directive e o AI Act, influenciando também Portugal e Macau.

8. Regulação Ambiental

As regras ambientais internalizam externalidades negativas através de limites de emissões, tecnologias obrigatórias de controlo de poluição ou sistemas de comércio de emissões.

Até 2026:

  • UE: metas climáticas mais ambiciosas, expansão do ETS e integração obrigatória de riscos climáticos na governação corporativa.
  • Portugal: forte aposta em energias renováveis, hidrogénio verde e descarbonização dos transportes.
  • Macau: políticas ambientais mais graduais, com foco em qualidade do ar, gestão de resíduos e eficiência energética em edifícios.

9. Regulação Financeira

A supervisão financeira visa manter a estabilidade sistémica e proteger consumidores.

Novos desafios incluem:

  • Volatilidade das criptomoedas;
  • Integração de fintech;
  • Negociação algorítmica e IA.

Até 2026:

  • UE: implementação do regulamento MiCA para criptoactivos e reforço das regras de resiliência operacional digital (DORA).
  • Portugal: supervisão reforçada pelo Banco de Portugal e CMVM, com foco em fintech e prevenção de riscos sistémicos.
  • Macau: regulação prudencial robusta, alinhada com padrões internacionais, dada a importância do sector bancário e das operações transfronteiriças com a China continental.

10. Requisitos de Divulgação de Informação

A divulgação obrigatória reduz assimetrias de informação e capacita consumidores e investidores.

Exemplos incluem:

  • Rotulagem alimentar;
  • Relatórios financeiros;
  • Divulgação de riscos climáticos.

Até 2026:

  • UE: adopção generalizada das normas ISSB e da Corporate Sustainability Reporting Directive (CSRD).
  • Portugal: empresas de maior dimensão reportam métricas ESG harmonizadas.
  • Macau: requisitos de divulgação mais limitados, mas em expansão, sobretudo no sector financeiro e nas concessões públicas.

Implicações Estratégicas das Escolhas de Política

A selecção entre estes instrumentos envolve equilibrar eficiência, equidade e viabilidade política.

  • Controlo directo do mercado pode responder a preocupações distributivas urgentes, mas gera frequentemente efeitos indesejados (escassez, menor inovação).
  • Ferramentas estruturais, como o direito da concorrência, promovem saúde competitiva de longo prazo, mas exigem capacidade institucional elevada.
  • Regulações comportamentais, especialmente ambientais, são eficazes quando as externalidades são mensuráveis.
  • Regulação baseada em informação tem ganho destaque como mecanismo de baixa intrusão que mobiliza disciplina de mercado.

Na prática, a governação eficaz raramente depende de um único instrumento. Os decisores recorrem cada vez mais a estratégias híbridas, combinando incentivos, mandatos e transparência para enfrentar desafios complexos como:

  • Alterações climáticas;
  • Governação de plataformas digitais;
  • Estabilidade financeira;
  • Segurança energética e resiliência das cadeias de valor.

Conclusão

As dez categorias de regulação económica aqui apresentadas ilustram a amplitude de instrumentos disponíveis aos governos modernos. De controlos directos de preços a exigências sofisticadas de divulgação, cada instrumento oferece vantagens e compromissos distintos. Uma estratégia regulatória bem‑sucedida é necessariamente pluralista pois combina supervisão estrutural, incentivos comportamentais e intervenções direccionadas, ajustando‑se continuamente às condições de mercado. À medida que as economias enfrentam novas pressões tecnológicas, ambientais e geopolíticas, a capacidade de utilizar estes instrumentos de forma estratégica e não ideológica continuará a ser essencial para promover inovação, estabilidade e bem‑estar social.

Bibliografia

Livros e artigos académicos

  • Baldwin, R., Cave, M., & Lodge, M. (2012). Understanding Regulation: Theory, Strategy, and Practice. Oxford University Press.
  • Majone, G. (1996). Regulating Europe. Routledge.
  • Stiglitz, J. (2010). Freefall: America, Free Markets, and the Sinking of the World Economy. W.W. Norton.
  • Tirole, J. (2017). Economics for the Common Good. Princeton University Press.
  • Ogus, A. (2004). Regulation: Legal Form and Economic Theory. Hart Publishing.
  • Levi-Faur, D. (2011). Handbook on the Politics of Regulation. Edward Elgar.

Instituições internacionais

  • OECD (2023). OECD Regulatory Policy Outlook. OECD Publishing.
  • World Bank (2024). Global Economic Prospects. World Bank Group.
  • IMF (2025). Financial Stability Report. International Monetary Fund.
  • UNCTAD (2024). World Investment Report. United Nations.

União Europeia

  • Comissão Europeia (2023–2025). Digital Services Act (DSA) & Digital Markets Act (DMA) Implementation Reports.
  • Comissão Europeia (2024). Fit for 55 Package: Progress Report.
  • ESMA (2025). Guidelines on MiCA and Digital Operational Resilience (DORA).
  • EEA (2024). European Environment — State and Outlook Report.

Portugal

  • Banco de Portugal (2025). Relatório de Estabilidade Financeira.
  • Autoridade da Concorrência (2024). Relatório Anual de Atividades.
  • ERSE (2025). Regulação dos Setores Energéticos em Portugal.
  • APA (2024). Políticas Ambientais e Transição Climática em Portugal.

Macau

  • AMCM (2025). Relatório Anual da Autoridade Monetária de Macau.
  • Direcção dos Serviços de Economia e Desenvolvimento Tecnológico (2024). Relatório de Política Económica.
  • Direcção dos Serviços de Proteção Ambiental (2024). Estado do Ambiente de Macau.
  • Gabinete de Comunicação Social (2025). Regulação dos Media e Plataformas Digitais em Macau.

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