A educação contemporânea é profundamente moldada
por políticas públicas que, em 2026, reflectem transformações tecnológicas
aceleradas, uma renovada valorização das competências fundamentais e mudanças
significativas na governação educativa. Tanto na União Europeia como em
Portugal e em Macau, estas políticas abrangem desde a definição curricular até
à regulação da inteligência artificial, passando por modelos de financiamento,
formação docente e novas formas de certificação. No domínio curricular, a
integração da literacia em inteligência artificial tornou‑se uma prioridade
transversal. Os Estados‑Membros da UE alinham‑se com a Estratégia Europeia para
a IA e com o Espaço Europeu da Educação, enquanto Portugal reforça o Perfil dos
Alunos e o Plano de Transição Digital, e Macau incorpora competências digitais
e programação desde os primeiros ciclos, num modelo híbrido influenciado pelas
tradições portuguesa e chinesa. Esta evolução exige atualização de materiais,
formação especializada e uma visão ética sobre o uso da tecnologia.
As políticas de avaliação e responsabilização
também estão a mudar. A UE avança com avaliações digitais e adaptativas,
Portugal mantém a avaliação externa com maior integração tecnológica e Macau
experimenta ferramentas de avaliação assistidas por IA, que exigem supervisão
rigorosa para garantir equidade. Em paralelo, os sistemas de financiamento
continuam a enfrentar tensões entre equidade e sustentabilidade. Na UE
persistem assimetrias entre Estados‑Membros; em Portugal subsistem
desigualdades regionais e debates sobre o papel das escolas privadas com
contrato de associação; e em Macau, embora o investimento público seja robusto,
a forte centralização limita a autonomia das instituições.
A qualidade docente é outro eixo crítico. A
escassez de professores leva a UE a expandir vias alternativas de certificação
e programas de residência pedagógica, enquanto Portugal discute reformas na carreira
e incentivos à atratividade da profissão. Macau aposta em incentivos
financeiros e formação contínua para reter docentes experientes. Em todos estes
contextos, a avaliação docente continua a debater o equilíbrio entre resultados
dos alunos e desenvolvimento profissional. A formação contínua, por sua vez, é
marcada pela adoção generalizada das reformas baseadas na Ciência da Leitura.
Portugal reforça a formação obrigatória em literacia emergente e metodologias
fonéticas, a UE procura combater o declínio da literacia com práticas baseadas
em evidência e Macau adapta estas abordagens a contextos bilingues português‑chinês.
A liberdade de escolha educativa permanece um tema
sensível. A UE apresenta uma diversidade de modelos públicos, privados e
cooperativos, Portugal mantém debates sobre autonomia e contratos de associação
e Macau oferece uma ampla rede de escolas públicas, privadas e comunitárias,
exigindo mecanismos de supervisão para garantir qualidade e equidade.
Paralelamente, a governação da inteligência artificial tornou‑se central. O AI
Act europeu estabelece normas rigorosas sobre transparência e segurança,
Portugal adapta‑se a este quadro regulatório e Macau investe na expansão da
infraestrutura digital e na integração da IA como ferramenta pedagógica e
administrativa. A par disso, a privacidade e segurança de dados assumem
prioridade máxima: o RGPD continua a orientar a UE e Portugal, enquanto Macau
aplica a sua própria Lei de Proteção de Dados Pessoais, procurando equilibrar
inovação com a defesa dos direitos dos alunos.
Outro eixo emergente é o das microcertificações e
da aprendizagem baseada em competências. A UE avança com o Quadro Europeu de
Microcredenciais, Portugal expande ofertas modulares no ensino superior e na
formação profissional e Macau reforça programas de reconversão profissional em
parceria com instituições portuguesas e chinesas. Estas credenciais permitem
percursos flexíveis para adultos, profissionais em transição e estudantes que
procuram especialização. Finalmente, a governação institucional e a
estabilidade política influenciam profundamente o planeamento educativo. A UE
enfrenta desafios de coordenação entre Estados‑Membros, Portugal beneficia de
relativa estabilidade para implementar reformas e Macau mantém um sistema estável,
embora dependente de orientações administrativas centrais.
Em síntese, a educação em 2026 é definida por um
conjunto de políticas que procuram responder a desafios complexos: a
transformação tecnológica, a necessidade de reforçar competências fundamentais,
a valorização da profissão docente, a proteção de dados, a equidade no
financiamento e a adaptação a novos modelos de certificação. Para garantir
progresso equitativo, decisores políticos na União Europeia, em Portugal e em
Macau devem privilegiar quadros transparentes, baseados em evidência e
orientados para o futuro, assegurando que todos os alunos beneficiam das
profundas transformações em curso.
Bibliografia
- Comissão Europeia. European Education Area
– Progress Report 2025. Bruxelas: European Commission, 2025.
- Comissão Europeia. Artificial Intelligence
Act: Regulatory Framework for High‑Risk AI Systems. Bruxelas:
Publications Office of the EU, 2024.
- Conselho
da União Europeia. Digital Education Action Plan 2021–2027. Bruxelas: EU Council, 2023.
- Direção‑Geral
da Educação. Plano de Transição Digital na Educação. Lisboa: Ministério da
Educação, 2024.
- Ministério
da Educação. Perfil dos Alunos à Saída da Escolaridade Obrigatória.
Lisboa:
ME, 2023.
- OCDE. Education at a Glance 2025.
Paris: OECD Publishing, 2025.
- OCDE. AI in Education: Opportunities and
Governance Challenges. Paris: OECD, 2024.
- Região
Administrativa Especial de Macau. Relatório da Educação 2025.
Macau: Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da
Juventude, 2025.
- UNESCO. Global Education Monitoring Report
2025. Paris: UNESCO, 2025.
- UNESCO. Guidance on AI and Education:
Ethical and Pedagogical Frameworks. Paris: UNESCO, 2024.

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