As alterações climáticas continuam a intensificar‑se em 2026, exigindo
estratégias de adaptação que vão muito além da redução de emissões. Governos,
comunidades e blocos regionais, como a União Europeia (UE), estão a acelerar o
planeamento de adaptação para reduzir a vulnerabilidade a fenómenos
meteorológicos extremos, subida do nível do mar, escassez de água e degradação
dos ecossistemas. A Estratégia de Adaptação da UE 2021-2030, actualizada
através do Pacote de Resiliência Climática de 2025, dá prioridade à resiliência
das infra-estruturas, à expansão de soluções baseadas na natureza e ao reforço
da governação transfronteiriça do risco estabelecendo um padrão global para
políticas de adaptação integradas.
Os dez estudos de caso seguintes ilustram como países com contextos
climáticos e socioeconómicos diversos estão a implementar medidas inovadoras de
adaptação em 2026. Da resiliência agrícola no Sul da Ásia à protecção costeira
na Europa e no Pacífico, estes exemplos evidenciam a amplitude dos esforços
globais de adaptação e a crescente convergência com modelos de resiliência de
longo prazo semelhantes aos da UE.
Estudos de Caso em Gestão da Água e Agricultura
1. Bangladesh - Recarga Gerida de Aquíferos e Variedades de Arroz
Tolerantes ao Sal
Bangladesh continua a enfrentar cheias monçónicas intensificadas e
intrusão salina. Em 2026, o governo apoiado por parceiros internacionais,
incluindo os investimentos de resiliência climática do Global Gateway da UE expandiu
os sistemas de recarga gerida de aquíferos e subsidiou variedades de arroz
tolerantes ao sal. Estas medidas estabilizam a produção alimentar apesar das
alterações nos fluxos fluviais e da subida do nível do mar.
2. Níger (Região do Sahel) - Colheita Comunitária de Água
No Níger, estruturas comunitárias de colheita de água, como cordões de
contorno, covas zai e pequenas barragens, melhoraram a retenção de humidade no
solo e reduziram as quebras de produção durante estações das chuvas cada vez
mais irregulares. Programas financiados pela UE no âmbito da Parceria UE‑África
para a Adaptação Climática ampliaram estas práticas em todo o Sahel, ligando o
conhecimento local a serviços climáticos regionais.
3. Estados Unidos (Califórnia) - Mercados de Água e Normas de Eficiência
Os ciclos prolongados de seca na Califórnia impulsionaram a expansão dos
mercados de comércio de água, normas obrigatórias de eficiência urbana e
monitorização avançada de aquíferos. Estas ferramentas de política pública
reflectem aspectos da Directiva‑Quadro da Água da UE, que influenciou
abordagens globais de gestão integrada dos recursos hídricos.
Resiliência Costeira e Planeamento Urbano
4. Países Baixos - Expansão do Programa “Room for the River”
Os Países Baixos continuam a aperfeiçoar o seu reconhecido sistema de
gestão de cheias. Em 2026, o governo expandiu o programa Room for the River,
priorizando a restauração de planícies de inundação em vez de depender
exclusivamente de diques mais elevados. Esta abordagem está alinhada com a Lei
de Restauração da Natureza da UE, que exige protecção contra cheias baseada em
ecossistemas nos Estados‑Membros.
5. Tuvalu - Restauração de Mangais e Retirada Estratégica
Pequenos Estados insulares como Tuvalu estão a investir fortemente na
restauração de mangais, que oferecem protecção natural contra tempestades e
benefícios para a biodiversidade. A Iniciativa Blue Pacific da UE tem apoiado
estes esforços através de financiamento para a reabilitação de ecossistemas
costeiros e para o planeamento comunitário resiliente ao clima.
6. Singapura - Arrefecimento Urbano e Infra-estruturas Verdes
A estratégia de adaptação de Singapura integra sistemas de arrefecimento
distrital, vegetação vertical e medidas de mitigação da ilha de calor urbana.
Estas acções refletem quadros de adaptação urbana da UE, como a Missão para
Cidades Inteligentes e Climaticamente Neutras, que promove o design urbano
resiliente ao calor nas áreas metropolitanas europeias.
Infraestruturas e Adaptações na Saúde
7. Alemanha - Resiliência Climática das Infra-estruturas Energéticas
A Alemanha está a acelerar os esforços para tornar a sua rede energética
mais resiliente ao clima, enterrando linhas eléctricas, expandindo micro‑redes
e reforçando subestações contra fenómenos meteorológicos extremos. Estas acções
estão alinhadas com os requisitos da UE no âmbito do regulamento das Redes Transeuropeias
de Energia (TEN‑E), actualizado em 2025 para incluir avaliações obrigatórias de
risco climático em todos os novos corredores energéticos.
8. Índia - Sistemas de Alerta para Ondas de Calor e Centros de
Arrefecimento
As grandes cidades indianas, incluindo Mumbai, institucionalizaram
sistemas de alerta precoce para ondas de calor, centros públicos de
arrefecimento e códigos de construção revistos para reduzir a mortalidade
associada ao calor extremo. Estes programas baseiam‑se em boas práticas globais,
incluindo investigação apoiada pela UE no âmbito do Horizonte Europa sobre
design urbano resiliente ao calor.
Adaptação Baseada em Ecossistemas e Integração de Políticas
9. Costa Rica - Reflorestação para Estabilidade das Bacias Hidrográficas
A reflorestação de bacias hidrográficas críticas na Costa Rica continua
a ser um modelo de adaptação baseada em ecossistemas (EbA). Estas florestas
estabilizam encostas, reduzem o risco de deslizamentos e garantem o
abastecimento de água. A cooperação da UE através da Aliança Verde UE‑ALC
ampliou o financiamento para adaptação baseada na natureza na América Central.
10. Reino Unido-– Avaliação de Risco Climático em Infra-estruturas
Em 2026, as avaliações nacionais de infra-estruturas do Reino Unido
exigem análises prospectivas de risco climático para todas as grandes obras
públicas. Embora não seja Estado‑Membro da UE, a abordagem britânica permanece
alinhada com as normas europeias de adaptação, especialmente os requisitos de
resiliência climática aplicados a infra-estruturas financiadas pela UE, que
obrigam à avaliação de cenários climáticos de meados do século.
Conclusão
Estes dez estudos de caso demonstram que, em 2026, a adaptação climática
é cada vez mais sistémica, intersectorial e alinhada com quadros internacionais,
incluindo a estratégia de adaptação em evolução da UE. Seja através da inovação
agrícola no Bangladesh, da restauração de ecossistemas costeiros em Tuvalu ou
da resiliência das infra-estruturas na Alemanha e no Reino Unido, os esforços
globais de adaptação convergem em torno de princípios comuns:
- Resiliência de engenharia
- Restauração ecológica
- Integração
de políticas e planeamento de longo prazo
- Abordagens centradas nas comunidades
Em conjunto, estes exemplos constituem um plano orientador para um
futuro resiliente ao clima combinando inovação local com cooperação global e
reflectindo a crescente influência da UE na governação da adaptação climática.
Bibliografia (Portugal, formato académico claro)
Bangladesh e Sul da Ásia
- Governo do Bangladesh. National Adaptation
Plan 2023–2050. Ministério do Ambiente,
Florestas e Alterações Climáticas, 2024.
- FAO. “Salt‑Tolerant Crop Development in
Coastal Bangladesh.” FAO Technical Brief, 2025.
Níger / Sahel
- Comissão
Europeia. EU-Africa
Climate Adaptation Partnership: Sahel Resilience Report. Bruxelas,
2025.
- UNCCD. “Land Restoration and Water Management
in the Sahel.” Relatório Regional, 2024.
Estados Unidos (Califórnia)
- California Department of Water Resources. Water
Resilience Portfolio - 2025 Update. Sacramento, 2025.
- Pacific Institute. “Water Trading and Drought
Adaptation in the Western United States.” 2024.
Países Baixos
- Rijkswaterstaat. Room for the River
Programme – 2026 Progress Report. Haia, 2026.
- Comissão Europeia. Nature Restoration Law:
Implementation Guidance. Bruxelas, 2025.
Tuvalu
- Government of Tuvalu. National Adaptation
Programme of Action 2025-2030. Funafuti, 2025.
- EU Blue Pacific Initiative. “Coastal Ecosystem
Restoration in Small Island States.” Serviço Europeu de Ação Externa,
2025.
Singapura
- Singapore Green Plan Office. Climate
Adaptation and Urban Heat Mitigation Strategy 2025–2035. Governo de
Singapura, 2025.
- UN‑Habitat. “Urban Cooling and Nature‑Based
Solutions in Asian Megacities.” 2024.
Alemanha
- Bundesministerium für Wirtschaft und
Klimaschutz (BMWK). Climate‑Resilient Energy Infrastructure Strategy.
Berlim, 2025.
- Comissão
Europeia. TEN‑E Regulation: Climate Resilience Requirements.
Bruxelas, 2025.
Índia
- National Disaster Management Authority (NDMA).
Heatwave Action Plan 2025–2026. Governo da Índia, 2025.
- Organização Mundial da Saúde. “Urban Heat
Stress and Public Health Preparedness in South Asia.” OMS, 2024.
Costa Rica
- Ministério
do Ambiente e Energia (MINAE). National Ecosystem‑Based Adaptation Strategy. San José, 2025.
- EU-LAC Green Alliance. “Nature‑Based
Adaptation in Latin America.” Comissão Europeia, 2025.
Reino Unido
- National Infrastructure Commission. Climate
Resilience Assessment 2026. Londres, 2026.
- OCDE. “Mainstreaming Climate Risk into Infrastructure
Planning.” Documento de Política, 2025.

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